sábado, 6 de outubro de 2018

DONS



Já alguma vez pensámos porque Deus se dedica tanto? A nossa existência aqui poderia ser medíocre. Jesus poderia ter deixado este mundo e nós nunca saberíamos a diferença. Mas não foi isso que Ele fez. Se nós damos presentes para demonstrar o nosso amor, quanto mais Ele! (“Se vós pois, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que Lhe pedirem? Mateus 7:11).
Os dons (bens) de Deus emitem a luz do Seu coração (“Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.” Tiago 1:17).
Todos os dons de Deus revelam o Seu amor, porém nenhum revela mais o Seu amor do que o dom (presente) da cruz. Eles vieram, não embrulhados em papel, mas em paixão. Não foram colocados à volta de uma árvore, mas numa cruz. Foram cobertos com laços, mas salpicados com sangue!
“…ofereça dons…”
Que dons são estes? Será só o dom da cruz? Penso que não! E os pregos? A coroa de espinhos? As vestes que os soldados tiraram? Já tirámos tempo para abrir estes presentes? É verdade que a única atitude requerida para a nossa salvação foi o sangue derramado. Mas Ele fez muito mais! O lugar da crucificação está cheio de presentes (dons) de Deus. Vamos abrir alguns!
- Cristo suporta o nosso lado mau (“Porque o que faço não o aprovo, pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço.” Romanos 7:15).
         Nos momentos que antecederam a crucificação do Senhor há uma cena que muitas vezes nos passa despercebida. “E, cuspindo n’Ele…” (Mateus 27:30).
         A obrigação dos soldados era simples: levar o Senhor até ao monte e crucificá-Lo. Mas eles tinham outra ideia, queriam divertir-se primeiro. Os açoites foram ordenados, a crucificação também. Mas quem teria prazer em cuspir num Homem quase morto? O ato de cuspir não tem a finalidade de machucar o corpo. O ato de cuspir é a intenção de degradar a alma. Eles sentiram-se grandes ao humilhar o Senhor.
         Talvez nós nunca tenhamos cuspido em alguém, mas provavelmente já murmuramos, já caluniámos! E a sensação de quem faz isso é que acham que são maiores do que aquele que estão humilhando.
         O cuspo dos soldados simboliza o lixo que por vezes vai no nosso coração, e vê o que o Senhor faz com isso. Ele o carregou até à cruz! Os anjos estavam presentes mas não desviaram o cuspo. Aquele que escolheu ser cravado com a lança, suportou também o cuspo do homem porque conhecia o lado obscuro dele. Na cruz, Jesus trocou connosco (“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-Se maldição por nós…” Gálatas 3:13).

- Ele fala a nossa linguagem (“E, também por cima d’Ele estava um titulo, escrito em letras gregas, romanas e hebraicas: ESTE É O REI DOS JUDEUS.” Lucas 23:38)
         O grego era a linguagem da cultura regente. O latim era o idioma dos romanos, e o hebraico era o idioma dos hebreus. Jesus Cristo foi declarado Rei em todas elas. Deus tem uma mensagem para cada uma. Não há língua que Ele não fale. E a pergunta é esta: “Em que linguagem é que Ele está falando contigo?” Não estou a falar do idioma, mas no teu dia-a-dia. Qual a linguagem que Deus tem utilizado para falar à tua vida? Deus também fala a nossa língua.
O importante para nós é compreender que na cruz o Senhor Jesus nos ganhou também o acesso diário ao Pai para falarmos com Ele!

- Vitória (“E João, viu que o lenço que tinha estado sobre a Sua cabeça, não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte.” João 20:7).
Só Deus pode transformar qualquer tragédia em triunfo. Na sexta-feira da crucificação, João não sabia o que nós não sabemos agora. Ele não sabia que a tragédia de sexta seria o triunfo de domingo. Mas não fugiu como os outros. A Bíblia não fala do dia a seguir á crucificação (sábado), mas podemos imaginar o quanto difícil terá sido esse dia para os discípulos. Mas quando chegou o domingo João estava lá. Porquê? O Senhor estava morto, o seu futuro comprometido. Quem lhe garantia que aqueles que mataram Jesus não viriam atrás dele para também o matarem?
Talvez tenha ficado porque amava o Senhor Jesus. Para alguns, Jesus era alguém que fazia milagres, para outros era um Mestre, para outros a esperança de Israel. Mas para João, Ele era tudo isto e muito mais. Para João o Senhor Jesus era um Amigo!
E não se abandona um amigo, nem mesmo quando Ele morre. João ficou perto do Senhor. Era um hábito seu. Ele esteve perto d’Ele no Cenáculo. Esteve perto d’Ele no Getsémani. Esteve aos pés da cruz durante a crucificação, e estava perto da sepultura durante o enterro. E nós? Quando nos encontramos na mesma posição de João, o que fazemos? Quando chega o “sábado” da nossa vida como reagimos? Fugimos? Abandonamos o Senhor? Ou permanecemos ao Seu lado? Queremos a vitória? Queremos o milagre? Então temos de esperar pelo “domingo”!
João através dos trapos viu o poder da vida (“…Ele viu, e creu…” João 20:8).
E a questão final é esta: Pode Deus neste “domingo” fazer algo parecido na nossa vida? Pode Ele tornar uma tragédia numa vitória? Não tenho dúvidas. Basta fazer o que João fez. Ficar perto d’Ele. Da cruz não mana apenas salvação, mas também dons intermináveis!

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