segunda-feira, 3 de agosto de 2009

SE O SENHOR LHE MANDOU

Tendo o rei Davi chegado a Baurim, quando fugia das tropas revoltosas de Absalão, saiu-lhe ao encontro Simei, da família a que pertencera Saul, com o intuito de amaldiçoar o rei de Israel.

"Fora daqui", dizia Simei, "fora homem de sangue, homem de Belial; o Senhor te deu agora a paga de todo o sangue da casa de Saul, cujo reino usurpaste, já o entregou nas mãos de teu filho Absalão; eis-te agora na tua desgraça."

"Porque amaldiçoaria este cão morto ao rei, meu senhor?" disse Abisai, partidário de Davi, ouvindo Simei falar. "Deixa-me passar", pediu ao rei, "e tirar-lhe-ei a cabeça." Davi, porém, que chefiara as tropas de Saul em muitas vitórias, respondeu:

"Ora deixai-o amaldiçoar; pois se o Senhor lhe disse": "Amaldiçoa a Davi", quem diria: "Porque assim fizeste?" Prosseguiram, pois, Davi e os seus homens, tendo Simei ao lado a amaldiçoá-lo a a lhe tirar pedras.

Em geral, conhecemos reis cujo poder incha de tal modo a sua prepotência e ambição, que, por muito menos do que uma maldição, não hesitam em arrancar a cabeça dos seus opositores. O poder endurece o orgulho e a vontade de dominar, mas em Davi vemos um coração inteiramente inclinado ao seu Deus. Embora rei, Davi não se considerava o centro dos acontecimentos. Ele não considerava que quem estava contra ele estava contra Deus, mesmo que isso fosse verdade.

Especialmente com o passar dos anos, corremos o risco do nosso coração endurecer-se até ao extremo de considerar inconscientemente que as bençãos sobrevêm onde estamos são por causa de nós, e os insucessos por causa da discordância de outros. Oh! quão longe isso está de genuíno conhecimento de Deus! A primeira convicção que o conhecimento divino produz é de que todos os outros são superiores a nós. Isso é conhecer Deus! Não se trata de um reconhecimento teórico e fraco, mas de uma convicção radical evidente em todas as nossas atitudes. Conhecer Deus passa-nos para o último lugar!

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